Presta atenção.
Aquele lá, lá longe, cruzando o rio com as calças enroladas até o joelho e a postura mais curva que a curva do vento, não é você?
Ele anda dois passos por vez e não sai do lugar, porque é um pra frente e outro pra trás. Não seria ele você?
Ele corre desesperado, pra frente e pra trás, pra frente e pra trás, pra frente e pra trás e daí cai.
E o rio continua como uma manada furiosa de hidrogênio e oxigênio (e os elementos todos que compõe as pedras todas e os galhos todos e tudo o mais que um rio carrega de brinde) o pegando de jeito pela esquerda. Dois pra um.
Mas a verdade é que funciona muito bem e o caos químico, de aleatoriedades mil, vive como uma só entidade.
Mas e você? Você, carbono.
Ele, carbono.
E o rio tudo aquilo e é um só, e ele que é somente ele mesmo, age como se fosse dois.
Você, dois.
Um pra frente, outro pra trás.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEsse texto com certeza foi um pra frente.
ResponderExcluirBingo!
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