Na rede dormia um moço enquanto a mosca zumbia e o sol sumia e alguma coisa chiava baixinho na panela.
No moço, o chapéu no rosto e o cigarro ainda queimando na mão. No moço, só o peito que sobe e que desce, só o pulso apagado mas irrefreável do corpo jovem da mente velha de um homem que cansou rápido demais.
E a mosca não dá trégua, mas o rapaz já não se importa mais.
Se do lado de dentro já se calaram as guerras (das idéias contrárias, do indiscutivelmente discutível) pro coitado dormir, quem é que é a mosca pra vir como quem pode lhe roubar a paz?
5.4.10
Robótica
Na primeira vez em que descobri que alguem lidava comigo no automático, fiquei desnorteada.
Mas isso foi até perceber que todos vivemos de certa forma no automático, perceber que uns só são mais funcionais que outros, que uns possuem modo shuffle e outros não.
Mas isso foi até perceber que todos vivemos de certa forma no automático, perceber que uns só são mais funcionais que outros, que uns possuem modo shuffle e outros não.
4.4.10
Perder a hora
Nas muitas vezes em que eu acordo e tudo mudou, fico quieta e finjo que também mudei... mas é só por vergonha de perguntar "Por quanto tempo eu dormi?".
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