2.8.11

Sobre o manicômio, digo, o Planeta Terra

Tem sempre aqueles tentando dar um xeque-mate numa partida de xadrez inexistente.
"Pfffffff", debocha você.
E aí só olha meio de lado, perdidão, quando um desses gargalha alto enquanto dorme no descampado que ele acredita ser um tabuleiro gigante em preto e branco.
Você só olha meio de lado praquele coitado, e daí deixa ele vivendo as irrealidades dele... pula por cima do corpo adormecido e então continua treinando com afinco os passos de tango que seu amigo imaginário te ensinou (que isso sim é importante).

1.8.11

Sobre o limiar entre o humano e o palhaço

Às vezes as paredes me olham torto e os tapetes se esguicham para os cantos para eu passar.
Às vezes a Lua se esconde atrás das nuvens e as nuvens por sua vez teimam em tentar uma fuga à francesa, evaporando-se em meros segundos. - Embaraçada, a Lua torna à tona... mas de brilho diminuto dessa vez.
Em tais ocasiões, os coelhos dão no pé se ouvem meus passos e os pássaros passam batidos pelo meu céu.
Pergunto ao verme que foi que eu fiz de tão mal assim e então ele me responde com torções e espasmos no débil corpo esverdeado.
Me sento angustiada na relva baixa e ouço as ciganas cigarras me lançando maldições em cantos zombeteiros e vejo os vagalumes sinalizando em morse uns para os outros alguma coisa maliciosa ao meu respeito.
Me olho no lago e (não) me vejo.
É nesse ponto da noite que eu entendo que carreguei demais na maquiagem de ser-humano antes de sair de casa.

Rebuscado

Quando atinge o clímax o desespero da incompreensão do que me é (ou deveria ser) próprio, numa vã tentativa de alcançar-me uma vez mais, re-busco-me.